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quarta-feira, 5 de maio de 2010

12 anos de Santa Casa de Misericórdia

                                              


  AÉREOPORTO DE ALMAS



         Hoje é um dia muito especial, pois há 12 anos eu iniciava minha trajetória na área da saúde como funcionário da Santa Casa de Misericórdia, desde então se passou muitas, manhas, tardes, madrugadas de domingos, feriados, 31 de dezembro, 1° de janeiro, de plantão abaixo de zero, chuva, sol de rachar, sempre estava lá, para cumprir com meus compromissos, momentos de alegrias, momentos de dor e tristeza, como o de hoje à tarde quando minha colega que está com o contrato suspenso, aguardava para ser chamada novamente, após reunião com a direção do hospital, soube que não a chamarão, começou a chorar” a gente dedica uma vida ao trabalho, para ser tratada como uma roupa velha que não serve mais e agora deve ser jogada fora”, realmente muito triste o que fizeram com a nossa classe nos últimos anos, mas principalmente com o fechamento do hospital por 5 meses e as mais de 100 demissões dos trabalhadores da Santa Casa.

A experiência de trabalhar em um hospital fez-me crescer muito como pessoa, principalmente no respeito ao próximo e a conhecer as necessidades dos seres humanos, saúde, alimento, amor, carinho, amparo, respeito, dignidade. Lidar com doença, com a vida e a morte também dignifica, nos faz refletir, sentir a dor de um pai que perde único filho, da mãe vê seu filho ir-se sem poder fazer mais nada, de famílias arrasadas, de doenças que matam aos poucos, câncer é uma delas, as pessoas repartem com os porteiros, com recepcionistas, enfermeiras. São poucos os que repartem os momentos felizes, do nascimento, da melhora de doença incurável, assim é o nosso trabalho, apesar de tudo se faz muitas amizades, conquistamos respeito, com honestidade, ética e amor a profissão, e de certa forma podemos dar sustento as nossas famílias.



        Sempre digo que o hospital é como se fosse um aeroporto de almas, ali chegam ao nascer e partem ao morrer. Vendo tudo isto que acontece com os pacientes, percebi que nós trabalhadores também estávamos necessitando de “cuidados”, pois não tínhamos FGTS depositado a anos, salário condizente com a profissão, condições dignas de exercer a profissão. Cheguei à conclusão de quem deveria reivindicar e lutar por nós, o sindicato da saúde não estava fazendo, consegui montar uma chapa de oposição em 2003, propomos desde então aumento da complexidade hospitalar, melhores condições de trabalho, luta salarial, e lutar pelo próprio hospital cobrando do Estado mais investimento na área da saúde.

Em 2004, fui eleito membro mais votado da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), reeleito em 2006, realizei um trabalho em conjunto com meus colegas da comissão voltado para dar condições dignas de trabalho para todos os colegas do hospital, os frutos até hoje são visíveis, decarpak (são caixas amarelas de papelão para colocar as seringas descartáveis), pisos antiderrapantes, as rampas, o telhado do pátio interno, etc., Além das campanhas de conscientização de cuidados dos perfuro cortantes, das vacinações, sempre levando informações de como evitar acidentes de trabalho a todos os setores do hospital, foi uma participação efetiva e de luta em defesa dos trabalhadores.

          No mesmo ano de 2006, para explicitar os problemas da saúde em especial dos trabalhadores da Santa Casa, dos usuários do SUS, e do próprio hospital, fui candidato a deputado federal pelo PSOL com o número 5080, propomos aumento da complexidade, construção de UTI neonatal, para que nossos filhos não morressem mais na estrada até Bagé, a UTI mais próxima.

O nosso objetivo era tornar-nos referência regional, aliar a UNIPAMPA com cursos na área da saúde, técnicos, enfermagem, médicos, para dar o atendimento digno para o nosso povo, atraindo investimentos do Estado para a nossa cidade, gerando emprego e renda. Entretanto a direção dita popular liderada pela Leda, sindicato e movimento popular, de popular não tinha nada, iniciou uma perseguição avassaladora contra mim, assediando moralmente, chegando ao ponto de me transferir de setor várias vezes para que eu não fizesse campanha, e o que é pior me colocaram em dois turnos a encher dezenas de garrafas de detergentes em uma peça fechada, como quem dizendo “o que tu pensa que é te coloca no teu lugar, porteiro, simples porteiro quer ser deputado federal, vê se pode”.

Com apoio dos colegas tive a CORAGEM de enfrentar e denunciar, estancando as demissões dos aposentados e as 100 demissões anunciadas pela direção na RBS dizendo: Quem deveria sair eram os que prometeram solucionar os problemas do hospital, e que somente agravaram.

Recebi o apoio dos meus colegas e de grande parte da população, perfazendo 1239 votos, votos estes que ajudaram a reeleger a nossa deputada federal Luciana Genro, no inicio de 2007, articulamos através do nosso mandato uma emenda de R$ 300 mil em beneficio do hospital, conseguimos articular com todos os deputados federais do estado mais R$ 750 mil em emendas de bancada, informamos o prefeito, vereadores, administração do hospital, envolvemos, representantes dos governos federais, estaduais para que se comprometessem em efetivamente trazer estes recursos que beneficiariam a nossa cidade como um todo, mas o que se viu de concreto, foi o descaso dos políticos e seus partidos, aliado a total incompetência acabou-se perdendo os recursos.



2008 em construção,

2009,,,, também,

2010...amanha continuo se Deus quiser.....

Um comentário:

Antônio disse...

Agora sim, Rogério Benites... Blog sem a possibilidade do comentário é panfleto, a palavra de um lado só, do lado desejado... O blog possibilita o contrário, e o elogio é claro... Quer dizer que sou filósofo? Um abraço...